domingo, 27 de novembro de 2005

Encômio

A mim o céu consome,
Na espera de um milagre, grito!
Um olho logo olha,
Pupila na ruptura do sonho,
A divertir deus com seus cílios.
Com a pena em punho,
Empunho uma adaga suja,
Enferrujada por coágulos de sangue,
Que do teu pulso verteram a força.
Alhures é verão, ácido...
Bem como a hora que evade,
Sua fala é a lei,
Impera sublime sobre a estultice,
A qual santifiquei-me a solo.
Sou todo gratidão,
Para alem de mim vai você,
Ao infinito de um céu,
Que só reconheço a tato.
Sua imagem evoca mais,
O maior contraste,
E o menor desgaste,
Entre mim e seu interstício.
Numa pincelada distraída tua,
Desaparece o ser que sou,
Antes de reassumir a forma de luz,
Silhueta de uma arquitetura divina.
Comove a suas andanças,
Àqueles que não te esquecerão.
Mais que em nossas lembranças,
Marcou-nos você na alma,
Com as mãos que sempre se estende...
Entre a vida e morte a devolver-me,
A esperança no amanhã,
E a franqueza no seguir adiante.

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Páginas Vivaz

Vida como um livro,
De paginas repassadas,
Ressequidas e saudosas,
De paginas numericamente,
À frente, no futuro de outras,
E outras sobrepostas àquelas...
Historia posposta pelo tempo.
Escreva no que ainda resta,
Pequenos espaços vazios,
Sendas do melhor doce, melhor porvir,
Frestas latentes,
Daquele que um dia serei.
As marcas e gravuras,
Esquadrinhadas de pijama,
Foi datada de remotas paragens,
Incidem no meu texto,
Marcado por nossas rasuras.
No meu ciclo a vida entorna,
Desditosa a lamuria,
Entoada pela noite gélida,
Constitui para si,
O destino dos nobres...
Pandego canhoto,
A escarnar minha sina,
Através de suas delicadas mãos,
E seu persistente silencio.