domingo, 28 de novembro de 2004

Eu e Meu Umbigo

Tememos tudo o que vemos? Ou será que,
Estando diante do perigo,
Fingimos para nós mesmos que,
A realidade vivida,
Condiz com o que almejamos? Voltamos,
Nossos olhos para nosso mundo de pano surrado,
E enganando o giro da terra por um segundo qualquer,
Sentimo-nos deuses, soldadinhos de chumbo,
Numa infantilidade senil de quem não envelhece.
Chorar para dentro,
Esconder o que está à vista,
Daqueles que controlam e depuram...
Mas nós não vemos nada.
Querendo ou não é fato,
Inegável vontade de ser,
Tudo aquilo que não se é,
A vida segue assim com seus supérfluos seguidores.
Quando crianças algumas mimadas criaturas,
São ensinadas erradamente que podem,
E que podem, e que podem, e sempre poderão,
O corpo espatifado no chão,
Pode depreender com razão o fim do PSEUDOCRISTO!
Cometimento de erros marginais,
Suplementa o meu ser uma onda gigante,
Que dos poros exultam,
Em enganos que conduz ao meu eu,
Que falo com uma voz que não é minha.



segunda-feira, 22 de novembro de 2004

Por Amor

Certa de que há uma brecha,
Tua tristeza se aproxima.
E nós, do lado de dentro da cicatriz,
Dispomo-nos em descarte final.
Eles disseram que era sua sina,
Sua irmã a sumir de vista,
Montanha abaixo em desvario total,
De forma a misturar-se ao chão,
E ao sebo incrustado...
Inusitado semblante,
De quem não acredita no que vê.
O sermão já não te absolve,
Nem a extrema unção sossega,
Será mesmo que um dia desses,
A superação subsistirá às feridas?
Seus desejos partilhados a mil,
E nenhum pedaço merecido,
Envolveu tua irmã no leito eterno,
Descansada de seu incestuoso coração.
Agonia na insônia,
Pesadelos reais; sonha você com ela...
Até que toda nuvem verta flores,
Brancas flores e petúnias,
Nunca mais poderás tu amar!
Enamorar-se do seu próprio sangue,
Similar sexo, inalterada borboleta.
Em sinal de perdão daquela que,
Pagou por seu grande pecado de,
Se entregar àquilo que acreditava,
Àquilo que lhe fazia tão bem,
E que lhe mostrou o caminho da liberdade...
Por amor, suicidou-se contente.



quarta-feira, 17 de novembro de 2004

Noite Feliz?

Janelas abertas adentra o sopro,
Alarido noturno se apresenta assim,
Diz-se chamar amor e chega a mim,
Em nome de alguém que se foi.
É verão, esse vento tem sabor...
Sem demora lembro-me de um sonho,
Mero sonho em que eu podia acordar,
E me levantar para um lindo paraíso.
Como se terremoto fosse, o pulso,
Impulsiona um romance a romper,
Nostálgicas ilusões da juventude.
As flores, os olhares, os beijos...
Caricias trocadas com tamanha devoção,
Hoje, se mostra em um amarelado sorriso,
Gratificante apesar de tudo, irrefutável.
Uma satisfação de não se arrepender,
De poder ser acordado pelo passado,
E a ele nada dever mesmo sabendo,
Que varias peças não se encaixaram,
Ou se perderam entre as promessas não cumpridas.
De repente, meu desejo se renova,
Uma vontade de viver inunda os sulcos,
De uma face ancorada na vida que segue,
E a tudo mais quanto se pode imaginar.
O sopro das paixões adormecidas se vai,
E deixa comigo o antígeno!
Esperança minha de me encontrar,
Em alguém que será pra sempre,
Inusitada flor em meu jardim.
Sozinho, volto a dormir, apagado,
Nas horas invisíveis que não vivi,
Amanheci de corpo entregue,
Aos prazeres de um mundo que não conheci.


sexta-feira, 12 de novembro de 2004

Afluxo Neural Intitulado

Um show acontece no escuro,
Começa um espetáculo de luzes,
Contraste de almas e vultos,
Enquanto o sono nos remete...
Sonhos de cérebros em conserva,
Vidas insólitas hasteadas sem pressa,
Não são cabidos os delírios e fantasias,
Dos teus desejos mais secretos.
Queria eu ter toda a vida pra frente,
Vida a ser vivida intensamente,
Sem deixar esvair-se como pó por entre meus dedos,
Que hoje também se esvaem não mãos do tempo.
Tornar-me-ei pó e daquele pó renascerei,
Não temos mais condições pra nada.
Uma morte a mais para o inominável,
Abominável ser inconstante!
A segunda chance foi desperdiçada,
Não se quer aqui a rendição, ou,
Talvez uma tentativa de fuga,
Quer-se a paz harmoniosa de vozes desconexas.
À noite, companheira da vida ignóbil,
Ressurge depois de consecutivos dias tempestuosos,
A me torturar com falsas promessas,
Amores impossíveis de uma juventude passada,
Transviada...
Latente como suntuosas estrias estouradas,
Todo diabo já me serve do melhor vinho,
Vinhedos estáticos, quase imaginários...
Só eu os posso ver daqui de onde estou.
Meu organismo e suas regras mórbidas,
Lembram-me de que tenho de voltar ao meu corpo,
(prisão infernal de sentimentos que nem sei se são meus)
A luz de um sol qualquer estraga meu falecer controlado,
Acordo. E o semideus sol espalma minha face pálida,
Como eu queria revidar tal ofensa...