sexta-feira, 12 de novembro de 2004

Afluxo Neural Intitulado

Um show acontece no escuro,
Começa um espetáculo de luzes,
Contraste de almas e vultos,
Enquanto o sono nos remete...
Sonhos de cérebros em conserva,
Vidas insólitas hasteadas sem pressa,
Não são cabidos os delírios e fantasias,
Dos teus desejos mais secretos.
Queria eu ter toda a vida pra frente,
Vida a ser vivida intensamente,
Sem deixar esvair-se como pó por entre meus dedos,
Que hoje também se esvaem não mãos do tempo.
Tornar-me-ei pó e daquele pó renascerei,
Não temos mais condições pra nada.
Uma morte a mais para o inominável,
Abominável ser inconstante!
A segunda chance foi desperdiçada,
Não se quer aqui a rendição, ou,
Talvez uma tentativa de fuga,
Quer-se a paz harmoniosa de vozes desconexas.
À noite, companheira da vida ignóbil,
Ressurge depois de consecutivos dias tempestuosos,
A me torturar com falsas promessas,
Amores impossíveis de uma juventude passada,
Transviada...
Latente como suntuosas estrias estouradas,
Todo diabo já me serve do melhor vinho,
Vinhedos estáticos, quase imaginários...
Só eu os posso ver daqui de onde estou.
Meu organismo e suas regras mórbidas,
Lembram-me de que tenho de voltar ao meu corpo,
(prisão infernal de sentimentos que nem sei se são meus)
A luz de um sol qualquer estraga meu falecer controlado,
Acordo. E o semideus sol espalma minha face pálida,
Como eu queria revidar tal ofensa...

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