Janelas abertas adentra o sopro,
Alarido noturno se apresenta assim,
Diz-se chamar amor e chega a mim,
Em nome de alguém que se foi.
É verão, esse vento tem sabor...
Sem demora lembro-me de um sonho,
Mero sonho em que eu podia acordar,
E me levantar para um lindo paraíso.
Como se terremoto fosse, o pulso,
Impulsiona um romance a romper,
Nostálgicas ilusões da juventude.
As flores, os olhares, os beijos...
Caricias trocadas com tamanha devoção,
Hoje, se mostra em um amarelado sorriso,
Gratificante apesar de tudo, irrefutável.
Uma satisfação de não se arrepender,
De poder ser acordado pelo passado,
E a ele nada dever mesmo sabendo,
Que varias peças não se encaixaram,
Ou se perderam entre as promessas não cumpridas.
De repente, meu desejo se renova,
Uma vontade de viver inunda os sulcos,
De uma face ancorada na vida que segue,
E a tudo mais quanto se pode imaginar.
O sopro das paixões adormecidas se vai,
E deixa comigo o antígeno!
Esperança minha de me encontrar,
Em alguém que será pra sempre,
Inusitada flor em meu jardim.
Sozinho, volto a dormir, apagado,
Nas horas invisíveis que não vivi,
Amanheci de corpo entregue,
Aos prazeres de um mundo que não conheci.
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