quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

Anfíbios Epitáfios

Esta poesia é na verdade uma espécie
de homenagem a todas as vitimas mortas
pela catástrofe que foi causada por um grande
terremoto submarino (9 pontos na escala Richter)
que, por sua vez, gerou maremotos.

Para quem quiser saber mais sobre o assunto:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2004/12/041228_terremotorc.shtml

Meus ouvidos ouvem um som tectônico,
Vêm com um clarão no espaço,
É o chamado que atendo,
É o sinal que não entendo.
Um lugar que não quis estar,
Mecanismos de autodefesa,
Desligados de toda corda,
Que se possa dar em mim.
Seguindo a sombra que segue,
Me perco no escuro do céu,
Nas profundas calmas da noite,
A perceber meu corpo entregue.
Os efeitos das tarjas pretas,
Não produzem pensamentos,
Mas sim doidices a babar,
Regurgitadas de veneta.
Mas sigo de lábios e beijos,
Delírios a qual me integro,
Desde que não tenha libido,
Incontido, inoculado por ai.
Sinto-me bem, transbordado...
Entrando por debaixo da onda,
Para não ser derrubado,
Escoado pelas mãos do destino,
Que impune me desfaz!
Como quem faz castelos de areia.
Contradiz o movimento,
Peristáltico melhor dizendo,
Pergunto às garças sobre o mundo,
E graças a deus, sou surdo!
Convém agora o luto,
Já que depois do maremoto,
Passam-se os mortos,
Sem jamais serem vistos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Pra que viver assim?

Deguste de vinho envelhecido,
Alguém quis entrar pela porta da frente,
Logo quando alterei o código de acesso,
Continua com o queijo adormecido.
Além muito além do que foi dito,
Guardo as mensagens do seu grande amor,
Eterna traição que me veio a sorrir,
Sem entender o que foi escrito.
Quem precisa viver assim,
A bordo de um navio bordado,
Num fundo de pinacoteca,
Borrado de azar e azar e azar.
Bem no fundo dos seus olhos,
Enxergo um gostar qualquer,
Por quem já foi sem olhar pra trás,
Deixando a mim, cartas de amor.
Declarações, pecados, ilusões,
Sua vida inteira passa displicente,
A correr atrás e por trás ser alvejado,
Pois, seu amor antecipou-se em meus braços.
E quem precisa viver assim,
Sabotando o que não se deve,
Chegando a lugares nenhuns,
Investido de horas e horas perdidas.
Deito na cama que um dia seu amor deitou,
Tento descansar sem me lembrar,
O que vou fazendo de minha vida,
Sem desviar-me do ponto final.
Mas não mais viverei assim,
Sentindo por quem nada sente,
Deixo, há tempos, todos eles pra trás,
E o desgosto desse vinho,
Mas o seu insosso queijo,
Não fazem parte do meu cardápio.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2004

Diário de Bordo

É segunda-feira,
Levanto-me da cama cedo...
A ânsia, a espera,
Te ver é o que quero.
Passa a manhã,
A tarde desaparece no horizonte,
Junto ao sol que se esconde.
Durmo. Me apago!
É noite de terça-feira,
Ainda não consegui te ver,
Frustrado me entrego ao sono,
Outra vez sem você.
Quarta-feira é de cinzas,
O desencontro nos encontra,
E aumenta minha vontade,
De ver você.
Elétrico, sem descanso,
Assim amanheço com a quinta,
“Hoje é dia.” – Penso eu,
A semana repete toda rotina,
Das nossas vidas que bifurcam.
Impaciente espero a hora certa,
Sem saber da verdade,
Cegado pela ilusão de ser seu.
Ouço a musica do primeiro beijo,
Ou seria do último?
Mas o momento esperado chega,
E você está lá,
Como eu imaginava...Linda,
Mas não desse jeito,
Nos braços de outro,
Que não sou eu.
Me calo, pálido, realidade crua e sem sal,
Indigesta...
Sem nenhuma vergonha,
Aceno com a mão,
E um nó no coração.
Me esqueço do resto da semana,
Dos dias que perdi a conta,
Dias que esperei,
Dias que acreditei,
Dias que amei sozinho,
A quem não deu valor.
Passam-se os dias,
Passam-se os anos,
Passamos a esquecer,
Um ao outro,
Antes de mais um dia nascer.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Um Dia Desses.

Um dia de sol,
Uma janela aberta,
A contento a vida passa,
Pela fechadura e me abraça.
Estou acordado,
Mais do que nunca,
Sentindo nos poros,
O sabor de um dia a mais.
Gratidão aos que se foram,
24 horas de intensas emoções,
Que se juntaram aos assombros,
Do que me transformei.
Felicidade!
Resmunga os loucos que não são,
Desconhecem com toda razão,
O que se esconde além dos céus.
O que não foi,
Não pode voltar,
Se tudo o que dizem é mentira,
Falemos a verdade.
Centelhas náuticas,
Tortuosos sonidos,
Se parece com você,
Essa sereia que tenta seduzir,
Sem se deixar levar,
Pelas correntezas das paixões.
A felicidade é isso,
Sou eu amanhecendo mais um dia,
Sem me esquecer de quem sou,
Sem saber quem sou,
Até que o próximo corpo caia,
Que a próxima dose se endosse,
E que as mágoas não previstas,
Entrone-se lado a lado,
Com o coração aguerrido,
De amores bem sucedidos,
À cama eternizar.

domingo, 12 de dezembro de 2004

Bangladesh dos meus Sonhos

Atlântida encolhida,
Escondida na distancia,
Inundada por pés...
Profundidade do meu ser.
Quero sumir e não ser achado,
Nesse desconhecido país,
Que se chama,
“Teu Corpo”.
Palavras bonitas,
Eternas desditas ao luar,
De um dezembro sem fim,
De quem traiu num olhar.
Tento respirar, mas dói,
Passo a passo ao marca passo,
Galopa meu pégaso amor,
Em direção a solidão.
O que se quer diante dos homens,
É o que se perde por esperar,
Sonhos de um dia poder,
Decifrar-te, descobrir-te.
Sua imagem disfarçada,
Me engana gravada nas pistas,
Que um dia deixastes para mim,
Perdidas em olhares distintos,Artificiais...

sábado, 11 de dezembro de 2004

Apenas um Perdão

(Também feita pela mesma autora
do poema abaixo)


Perdoe-me!
Doce criatura,
Delírio de todas nos,
Pecado jogado fora.
Ao silencio te vejo,
A dor que ainda não curou,
Sentindo tais cicatrizes profundas,
Em teus olhos...
Deus! Não fui digna de tal paraíso.
Aquele tempo que tu me dissestes,
Não passou nem um instante,
Lamentando o que nunca fiz,
Sufocada pelo desespero,
Torturada pela covardia,
Amando pelo medo.
Perdoe-me!
Por ser apenas uma covarde,
Insegura pelo caminho,
Afligindo tua mente,
Provocando tua alma,
Lagrimas de criança,
Um beijo de mulher.
Apenas a lembrança,
De uma única face,
De uma eterna paixão,
Proibida pela covardia.

O Delírio

(Esta poesia é de autoria de uma garota
que começou a compor a pouco tempo).

Fechando os olhos...
Ao céu encontro,
A lembrança,
Um homem amado.
Por um instante,
Sem ao menos tais respostas,
Para a alma.
Medo dominou tal criatura,
Chamada pelo coração,
Mas o receio da decepção,
De ao menos não vê-lo contagiar tais alegrias.
Oh! Inútil eu seria,
És tu a inspiração de uma pequena criança.
Lamentei o que deixei para trás,
A dor e o tempo ainda não apagaram o calor.
A despedida escutei,
Só no silencio do marasmo,
Deixei de impedir o adeus,
Jurando o desaparecimento.
A volta da saudade,
Continuo com aquele medo de tua voz,
Rejeitando quem um dia te beijou.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

Informativo Cultural 2

Sábado dia 18 de dezembro: 2004 SÓ VALEU!
A ultima confraternização do ano no Adams Lava-Motos!!!
Apoio:Pelicano MC, Blues MC e Rabugentos Moto Grupo.
Presença do Gargamel e Chapolim, integrantes do Bando D'Oeste
Motogrupo de Campo Grande/MS.
Durante toda a tarde festa para a garotada
em comemoração pelo 7º aniversário do Adams Júnior!
Distribuição gratuita de Algodão Doce!!!
16:00 horas show de mágicas e ventriloguismo!
No final da tarde e à noite shows ao vivo com 3 bandas
e aniversário do Marcelo Buess!
Bandas já confirmadas: Projeto Ícaro, Black Mountain e Made in Blues!
NÃO PERCAM... é o último agito do ano!

Informativo Cultural

Próxima quinta-feira (09/12) no QUIOSQUE DO GALDINO
Show ao vivo com a Banda PROJETO ICARO
A partir das 21:00hs.
ONDE????
À direita antes da entrada do Residencial Santos Dumont
(Sítio do Gama)
Organização:

Apoio:

&

sábado, 4 de dezembro de 2004

Enrugadas Miragens

A noite caída de joelhos,
Acalanta o lúdico sono,
De um homem à beira do abismo.
Alivio, paz imensurável,
Estática de cílios e pêlos,
Misturam-se a bulimia do dia.
Revoluções atômicas,
Trôpegas tropas a lutar,
Salutar dilúculo enobrece,
O abrir de olhos primeiro do dia.
Todo homem é cego,
Não por natura e sim por incerteza,
Medo de saber demais,
Enxergar o dia seguinte,
Antes de qualquer um,
Até do próprio dia que não dorme!
A soma das dores do mundo,
Suplanta as nuvens da idade,
Respirar rarefeito do alto ponto,
Das árvores tortas da infância.
Um abraço aperta o peito,
Que não o sentiu sem tempo.
Um toque, afago na hora certa,
Certamente marcaria,
A ferro e fogo a lembrança,
Que para sempre ficaria na carne.
A estação do meu mais novo ano,
Congela imagens de você,
Nas paredes de um coração,
Que não é o meu...
Atrai minúcias esquecidas,
E faz ressurgir novamente a vontade,
De engolir a vida sem sucumbir a ela.




domingo, 28 de novembro de 2004

Eu e Meu Umbigo

Tememos tudo o que vemos? Ou será que,
Estando diante do perigo,
Fingimos para nós mesmos que,
A realidade vivida,
Condiz com o que almejamos? Voltamos,
Nossos olhos para nosso mundo de pano surrado,
E enganando o giro da terra por um segundo qualquer,
Sentimo-nos deuses, soldadinhos de chumbo,
Numa infantilidade senil de quem não envelhece.
Chorar para dentro,
Esconder o que está à vista,
Daqueles que controlam e depuram...
Mas nós não vemos nada.
Querendo ou não é fato,
Inegável vontade de ser,
Tudo aquilo que não se é,
A vida segue assim com seus supérfluos seguidores.
Quando crianças algumas mimadas criaturas,
São ensinadas erradamente que podem,
E que podem, e que podem, e sempre poderão,
O corpo espatifado no chão,
Pode depreender com razão o fim do PSEUDOCRISTO!
Cometimento de erros marginais,
Suplementa o meu ser uma onda gigante,
Que dos poros exultam,
Em enganos que conduz ao meu eu,
Que falo com uma voz que não é minha.



segunda-feira, 22 de novembro de 2004

Por Amor

Certa de que há uma brecha,
Tua tristeza se aproxima.
E nós, do lado de dentro da cicatriz,
Dispomo-nos em descarte final.
Eles disseram que era sua sina,
Sua irmã a sumir de vista,
Montanha abaixo em desvario total,
De forma a misturar-se ao chão,
E ao sebo incrustado...
Inusitado semblante,
De quem não acredita no que vê.
O sermão já não te absolve,
Nem a extrema unção sossega,
Será mesmo que um dia desses,
A superação subsistirá às feridas?
Seus desejos partilhados a mil,
E nenhum pedaço merecido,
Envolveu tua irmã no leito eterno,
Descansada de seu incestuoso coração.
Agonia na insônia,
Pesadelos reais; sonha você com ela...
Até que toda nuvem verta flores,
Brancas flores e petúnias,
Nunca mais poderás tu amar!
Enamorar-se do seu próprio sangue,
Similar sexo, inalterada borboleta.
Em sinal de perdão daquela que,
Pagou por seu grande pecado de,
Se entregar àquilo que acreditava,
Àquilo que lhe fazia tão bem,
E que lhe mostrou o caminho da liberdade...
Por amor, suicidou-se contente.



quarta-feira, 17 de novembro de 2004

Noite Feliz?

Janelas abertas adentra o sopro,
Alarido noturno se apresenta assim,
Diz-se chamar amor e chega a mim,
Em nome de alguém que se foi.
É verão, esse vento tem sabor...
Sem demora lembro-me de um sonho,
Mero sonho em que eu podia acordar,
E me levantar para um lindo paraíso.
Como se terremoto fosse, o pulso,
Impulsiona um romance a romper,
Nostálgicas ilusões da juventude.
As flores, os olhares, os beijos...
Caricias trocadas com tamanha devoção,
Hoje, se mostra em um amarelado sorriso,
Gratificante apesar de tudo, irrefutável.
Uma satisfação de não se arrepender,
De poder ser acordado pelo passado,
E a ele nada dever mesmo sabendo,
Que varias peças não se encaixaram,
Ou se perderam entre as promessas não cumpridas.
De repente, meu desejo se renova,
Uma vontade de viver inunda os sulcos,
De uma face ancorada na vida que segue,
E a tudo mais quanto se pode imaginar.
O sopro das paixões adormecidas se vai,
E deixa comigo o antígeno!
Esperança minha de me encontrar,
Em alguém que será pra sempre,
Inusitada flor em meu jardim.
Sozinho, volto a dormir, apagado,
Nas horas invisíveis que não vivi,
Amanheci de corpo entregue,
Aos prazeres de um mundo que não conheci.


sexta-feira, 12 de novembro de 2004

Afluxo Neural Intitulado

Um show acontece no escuro,
Começa um espetáculo de luzes,
Contraste de almas e vultos,
Enquanto o sono nos remete...
Sonhos de cérebros em conserva,
Vidas insólitas hasteadas sem pressa,
Não são cabidos os delírios e fantasias,
Dos teus desejos mais secretos.
Queria eu ter toda a vida pra frente,
Vida a ser vivida intensamente,
Sem deixar esvair-se como pó por entre meus dedos,
Que hoje também se esvaem não mãos do tempo.
Tornar-me-ei pó e daquele pó renascerei,
Não temos mais condições pra nada.
Uma morte a mais para o inominável,
Abominável ser inconstante!
A segunda chance foi desperdiçada,
Não se quer aqui a rendição, ou,
Talvez uma tentativa de fuga,
Quer-se a paz harmoniosa de vozes desconexas.
À noite, companheira da vida ignóbil,
Ressurge depois de consecutivos dias tempestuosos,
A me torturar com falsas promessas,
Amores impossíveis de uma juventude passada,
Transviada...
Latente como suntuosas estrias estouradas,
Todo diabo já me serve do melhor vinho,
Vinhedos estáticos, quase imaginários...
Só eu os posso ver daqui de onde estou.
Meu organismo e suas regras mórbidas,
Lembram-me de que tenho de voltar ao meu corpo,
(prisão infernal de sentimentos que nem sei se são meus)
A luz de um sol qualquer estraga meu falecer controlado,
Acordo. E o semideus sol espalma minha face pálida,
Como eu queria revidar tal ofensa...

quinta-feira, 28 de outubro de 2004

Como Vai Você?

Você acorda todos os dias,
Acoplando as peças ao picadeiro,
Imaginando ser herói,
Fantasiando estupefato,
Falsas memórias remendadas.
Como vai você?
Estar caindo, gritando,
Concordando com a sentença,
Intuída por seus avós,
Amarrando sua vida,
Aos dias que o atropelam.
Como vai você?
Rodando atrás do rabo,
Alcançando em seu lugar,
Espaços vazios de mim.
E mesmo assim você anda,
Anda até cansar de fugir.
Como vai você?
Quando as coisas vão mal,
Levante as mãos para o céu,
Agradeça a alguém sem rosto,
E sinta-se melhor pra responder,
Como vai você?

sábado, 23 de outubro de 2004

Seja Lá Como For (Será)!

Antes da nova poesia, vai aqui a dica de um
Blog interessante sobre História, Música.
Mitos e Magia de Jan Duarte.
http://www.janduarte.pro.br/


Um sorriso,
Surtiu efeito. Um olhar,
Contudo explicar não sei,
O pudor consentindo a dor.
Abraços livres,
Entendimento equivoco,
No aguardo de abertura,
De um sonho inacabado.
Intimamente se desejam,
Amantes fieis a traição,
Quando se olham nos olhos,
E mentem sem saber:
- Amo-te!
Jogos de amor,
Inócuas brincadeiras,
Que em outros tempos,
Miudezas da alma humana.
Toda vez que caio,
Você assiste,
Enquanto ela me levanta.
Toda vez que choro,
Você limpa as lagrimas,
Enquanto ela me entende.
Seja lá como for, será.
Uma após outra,
Levando pedaços de mim,
Deixando apenas saudade.

sábado, 2 de outubro de 2004

Pra Todo Fim Um Meio

A cada dia sumido do calendário,
Um meio justifica nossos fins,
Meio a qual nos suga, dilata,
A pupila do buraco negro.
A certeza de que "tudo passa",
Transcende ao próprio homem,
Nos levando por tubos estreitos,
Venosas Viagens Vulcânicas.
Liberdade é o que se dá entre,
O abrir dos olhos e o último suspiro,
Emoções estampadas na moeda,
Que escraviza e avilta-nos.
Todo abraço pede mais,
De mais a mais os dias passam,
E nós passamos por eles...
E por quem os dias passam?
Sendo alguns antecipados pelo tempo,
Vidas ceifadas nesse campo,
De almas penadas sem destino.
Descobrimos então que "nada passa",
Levamos conosco o que se diz sentir,
Descobrimo-nos deuses virtuais,
Cedo demais para retroceder.
A noite vem revelar verdades ocultas,
Dissipando a nevoa de nossos olhos nus,
Como forma de preparação,
Prenuncio de idas que partiremos,
Deixando pra trás o que nunca passa,
A nos seguir em íntimos sonhos e lembranças.

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

Dogs

Esta é a letra de uma musica da banda de rock
progressivo Pink Floyd. Do que será que trata
essa letra? Traduzido por Fernando P. Silva.

Você precisa ser louco, você precisa ter um motivo de verdade
Você precisa dormir sobre seus dedos do pé
E quando você estiver na rua
Você precisa ser capaz de distinguir a carne fácil
Com seus olhos fechados
E depois se movendo silenciosamente
Contra o vento e escondido
Você precisa bater No momento certo e sem pensar.
E depois de um tempo, você pode trabalhar em pontos da moda
Como o clube da gravata, e o clube “firme aperto de mão”
Um certo olhar fixo nos olhos, e um sorriso fácil
Você tem que passar confiança para as pessoas que você mente
Para que quando elas virarem as costas para você
Você tenha a chance de esfaqueá-las.
Você tem que manter um olho sempre aberto
Você sabe que isto está ficando cada vez mais difícil, difícil
Conforme você envelhece
E no fim você arrumará as malas, e voará em direção ao sul
Esconderá sua cabeça na areia
Apenas outro triste e velho homem
Sozinho e morrendo de câncer.
E quando você perder o controle,
Você irá colher o que tem plantado
E á medida que o medo cresce,
O sangue ruim pára de correr e endurece
E é tarde demais para soltar o peso
Você costumava jogá-lo por aí
Então se afogue, enquanto você afunda sozinho
Arrastado para baixo pela pedra.
Tenho que admitir que estou um pouco confuso
Às vezes me parece que eu estou sendo usado
Preciso ficar acordado,
Preciso tentar e sacudir esse mal-estar rastejante
Se não estou pisando em meu próprio chão,
Como posso encontrar a saída deste labirinto?
Surdo, mudo e cego, você apenas continua fingindo
Que todo mundo é dispensável
E ninguém teve um amigo de verdade
E parece que para você
A solução seria isolar o vencedor
E você acredita de coração, que todo mundo é um assassino.
Quem nasceu numa casa cheia de dor?
Quem foi educado a não cuspir no ventilador?
Quem foi que disse o que devemos fazer pelo homem?
Quem foi à falência através de pessoal treinado?
Quem estava usando colarinhos e correntes?
Quem cedeu um assento no banco das testemunhas?
Quem estava fugindo do público?
Quem estava sozinho em casa com um estranho?
Quem foi triturado no final?
Quem foi encontrado morto ao telefone?
Quem foi puxado para baixo pelas pedras?

domingo, 12 de setembro de 2004

Noites em Claro

Mais uma noite solitária,
Desacertos sem consertos,
Visitam minha consciência,
Que não me deixa dormir.
Quero experimentar o sal,
O sol e o vôo das privações,
Tudo condicionado ao azul,
Imerso céu seu. Arrebatador!
Denuncia-me à faca ao peito,
Sem chance de fuga...
Um dia espero reencontrar,
O elo enferrujado que nos prende,
Mas que já nos fez tão feliz.
Proponha-se a vida a me conter,
Investigar o que está a vista,
Correndo atrás do rabo,
Dogmas separam os que lutam,
Pela unificação dos povos.
E o que importa no final,
O que deve ficar quando,
Derrubarmos nossos muros,
E nos libertarmos de toda prisão?
Começo, Inauguração, Ilusão,
Falseado fim pra todos que terminam.
E recomeçam do meio termo,
Seguindo os primeiros passos.

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

Rosácea Escarlate

Sentimento rorifluo matutino,
Asperge, felicita, convida,
Do sono despertas,
Inefável arte de emudecer.
Amanhecendo o estado calamitoso,
Espero sem piscar,
Absorto num aborto mental,
Mênstruo a gineceu aberto!
O olho que nos olha do alto,
De fato está dentro...
Timidamente a nos chamar,
A bailar sob o tépido sol nascente.
A perigo, tais sentimentos,
Em extinção migram,
Adentro aterra prometida,
Minha mente vazia.
Sorrindo sigo em frente,
Subindo seus percalços alados,
Cuspindo nas tuas limpas vestes,
Dormindo sono pagão.
Se esta rosa pudesse falar,
Certamente diria-se de si:
- Mais um pouco, aos tragos,
Consumirei a quem me consomes!
Desditosa rosa eterna,
Levou-me a mim a alma,
Em fragrância fugas,
De um amor que já esqueci o cheiro.

O Canto Barroco do Bruxo Visionário

Sabíamos do acontecimento,
E não fizemos absolutamente nada.
A hora chega e a camada de óleo,
Em primeira mão se assenta ao pó.
Você viu antes de todos,
Omissa, submissa, insossa...
Deixou que o cortejo seguisse,
Lamenta-se pelas rosas ofertadas?
Os melhores dias de sua mocidade,
Arrefecidos pelas mãos desatentas,
Daqueles que nos grilam amiúde,
Disfarçados de luz e paz.
Burilai-nos com tua onipresença,
Tu que andas pelas encostas crismadas,
Sempre soubemos das dádivas,
E também das esmolas sujas!
Passei muito tempo a gritar por ti,
Mas nunca ouvi sua voz de prontidão,
Somente meu próprio som a chocar-se,
Contra as paredes do cosmo.
Velhos amigos, velhos ideais,
O tempo anda sem mostrar o rosto,
Mas seus sinais sulcam face a face,
Gume a gume, noite a noite.
Hoje não sei pra que sirvo,
Vívidos dias vividos em melodias,
Dissipados em ouvidos leigos,
Servos de deuses e dogmas abstrusos.
Ambrosia rebelde, pecado eterno,
Comece já, absorva o que a vida lhe dá,
Levantemos os joelhos do chão,
E caminhemos até a outra margem,
A margem ilusória de nossos sonhos,
Assim, não se morre ao nascer de cada dia.

domingo, 29 de agosto de 2004

Sol de Meia Noite

Contrários que se atraem,
Eclipse de lábios e linguas,
Entendimento no descontentamento,
Completude de resquícios ignorados.
A noite e o dia expressos nos olhos,
Lua e sol perfilados em efeito glaucoma,
São os olhos de Deus a nos vigiar,
Rotas orbes, inspiradas fendas da alma.
Corais e coros evanescentes no céu,
Trazem minucias desencontradas,
Mapas que mostram a distancia,
Entre um dia e uma noite aleatórios.
Sabemos a quantas anda o tempo lá fora,
E até mesmo sobre nosso futuro,
Mas nao entendemos o trivial marcante,
Por que estamos juntos até hoje?
Sumária execução de sentidos,
Somos todos coadjuvantes desse circo,
Que tem por toldo o eterno céu multicolor,
E como animais em jaulas,
Nossos amores, sentimentos e aflições,
Sob controle involuntário de um piscar de olhos do tempo,
Arrebol de meia noite, lua da manhã.

quarta-feira, 18 de agosto de 2004

Flutuações Fleumáticas

Incólume, latente, anestesiado...
Pessoas que não sabem quem são,
Almejam o insólito, frenéticas!
E eu aqui, a vida por ai, assim,
Um passando pelo outro,
Sem se reconhecer depois de noites,
De profundas ilações pueris.
Abstruções, ablução do pecado mor,
Negar a si próprio mediante o espelho,
Reconhecer-se nas interseções,
Planos e planetas inexplicáveis.
E eu aqui, apenas continuo do meio,
Sempre com humor, humor algum,
Relembrando o amanhã,
Que levou consigo a esperança.
Mas o que chamam de vida,
Levo sem parar pra pensar,
Embrulhada para presente!
Vou entregá-la, entregar-me.
De dentro da cabeça,
A volúpia da alma escarna,
Uma vontade inigualável,
De levantar e andar...
Fazer enxergar e andar,
Uma única vez,
Aquele(s) que almejam,
A liberdade frenética de estar.

O que achou? Dê a sua interpretação Sobre o poema e até a próxima postagem!

quarta-feira, 4 de agosto de 2004

Dois Corações, um só Desejo.

Amor...Sem dúvida um sentimento que nos move, nos mata
e que não conseguimos viver sem. Neste poema de hoje, que
versa sobre o amor, trata-se do amor homem&mulher. Fala
especialmente a todos aqueles que dizem poder amar duas
pessoas ao mesmo tempo. Que fique claro que amar ao mesmo
tempo duas pessoas o amor de um homem para com uma mulher
e vice versa. Diferente do amor para com um filho ou para com
os pais, por exemplo. Amar duas, três, dez mil vezes sim, mas,
tudo dentro da eternidade do amor sincero que nao é dúbio...
Afinal, quem nasce com dois corações no fundo peito? O Amor
é eterno em sua duração, as paixões são varias e diversas e uma
coisa é completamente diferente da outra. Bem, é isso, não vou
alongar mais. Boa leitura. Espero que gostem e além de tudo,
entendam.

Aonde me escondo,
O lado escuro da Lua,
Outrora Reluziu ao toque suave do Sol.
Não é tão mal assim este lado...
Meu coração,
É do tamanho desajeitado,
De um mundo deformado,
Mas não é DOIS.
Meu coração, que é só UM,
Causa espasmo, vertigem,
Ama em cadenciada disritmia,
Desordenado na certeza,
De uma só paixão.
Bate forte no peito,
Como se pudesse amar duas vezes,
E ao mesmo tempo, migalhas de tempo...
Ser fiel a sí mesmo!
Devoção, Sonho, Ilusão,
Move um mundo utópico,
Por ocasiao da traição,
De eternas juras de amor,
Que se perderam num olhar.
Todo escuro se torna claro um dia,
E o limite se transborda,
Na forma de um mar revolto,
De gotas...
De lágrimas caidas,
Diante o adeus antes da hora.

Audadau. Uadadadadauuuuuuu!!!!

sexta-feira, 30 de julho de 2004

A Dor da Perda

Geórgia que bom que tenha gostado dessa idéia. Com isso
posso tentar ser um pouco mais transparente para alguns que
acham que me conhecem bem e reafirmar amizade com outros.
Para hoje, um pouco de reflexão sobre valores... Inversão
de valores, simples valores, nada de espiritual (ainda).

Algumas pessoas vêem em seus "bichinhos de estimação"
uma fuga...Na verdade fazem uso deles como subterfúgio
de um cotidiano incolor e de uma série de outras coisas
que conhecemos bem e se esquecem de todo o resto. 
Quem nunca teve um peixe, um gato ou um cachorro?
Sem citar aqueles animais exóticos que às vezes carecem
de mais cuidados que os demais...Que os outros demais
animais como o animal humano por exemplo. "Troque seu
cachorro por uma criança pobre". São inúmeros os protestos
e criticas feitas em relação à diferenciação no tratamento
dispensado para com animais e nós, animais humanos, 
SERES HUMANOS. Ter um animal de estimação é
bom, mas, quem de vocês já viu um adolescente perder
um animal de estimação e lamentar-se mais da perda do
animal do que a perda de um ente querido? Um Pai, Uma
Mãe ou um Irmão? Parece surreal, mas acontece. Animados
ou Inanimados! Devemos dar os devidos valores a quem
os têm, a quem os conquista diariamente. Cada peso com
sua medida!!! Pensem nisso.

Para a próxima postagem,  uma poesia dedicada especialmente
a todos que acham poder amar duas pessoas ao mesmo tempo.
Até lá...  

quarta-feira, 28 de julho de 2004

É tarde...( Poesia Acidental 1 )

Só pra inicio da brincadeira, vai aqui abaixo uma poesia
que para os bons entendedores, diz por si só.
Espero que gostem e mandem ver nos comentarios.
Até a próxima!

É tarde da noite, já madrugada...
De um novo dia ou de ontem?
Não saber se teremos outra noite de sono,
Nos faz dormirmos tranquilos...insones!
Acaba que no final da contas,
Sua imagem se junta as outras mnêmicas,
Adormecidas em tons violetas,
Em reminiscências são rememoradas,
Dia após dia, noite após noite.
Como numa revolta armada,
Que pacifica entoa o canto da derrota,
Sem ao menos tentar vencer,
Ideais de idéias perdidas.
A culpa pode ser minha, assumo...
Mas jamais desistirei de sonhos embotados,
Por ilusões e falsas verdades,
Nas quais acreditei um dia...
De um novo dia ou de ontem?
É tarde...
Tarde demais para voltar atrás!