terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Pra que viver assim?

Deguste de vinho envelhecido,
Alguém quis entrar pela porta da frente,
Logo quando alterei o código de acesso,
Continua com o queijo adormecido.
Além muito além do que foi dito,
Guardo as mensagens do seu grande amor,
Eterna traição que me veio a sorrir,
Sem entender o que foi escrito.
Quem precisa viver assim,
A bordo de um navio bordado,
Num fundo de pinacoteca,
Borrado de azar e azar e azar.
Bem no fundo dos seus olhos,
Enxergo um gostar qualquer,
Por quem já foi sem olhar pra trás,
Deixando a mim, cartas de amor.
Declarações, pecados, ilusões,
Sua vida inteira passa displicente,
A correr atrás e por trás ser alvejado,
Pois, seu amor antecipou-se em meus braços.
E quem precisa viver assim,
Sabotando o que não se deve,
Chegando a lugares nenhuns,
Investido de horas e horas perdidas.
Deito na cama que um dia seu amor deitou,
Tento descansar sem me lembrar,
O que vou fazendo de minha vida,
Sem desviar-me do ponto final.
Mas não mais viverei assim,
Sentindo por quem nada sente,
Deixo, há tempos, todos eles pra trás,
E o desgosto desse vinho,
Mas o seu insosso queijo,
Não fazem parte do meu cardápio.

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