quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

Juízo Inflamável

Controle-se! Você foi chamado,
Adestrarás a natureza indômita,
E logo do carvão ressurgirás,
Como vento represado no mar.
Acalma-me o peito a lento,
De forma a munir a mão sozinha,
De extrema esquerda xiita.
Quando o sono cessar,
Aquele que se mostra a toda prova,
Carcomido pernoitará nos pastos...
E o verde meio amazônico dos olhos,
Encontrará aflito a razão!
Um juízo de quem leva consigo,
Toda obra inacabada,
Tendo com tenda abrigadora,
Devolutas maneiras de sonhar.
Corre e depreca por mim,
Combinando cetros a teu luto,
Meu renovo a tua injuria,
Ante o maior tesouro que por ai há.
Devolve apenas o que se pode,
O demais... Joga-o fora como a ti mesmo!
Depois de lutas e mais lutas,
Assenta tua vivacidade a meu lado,
Compartilhe de suas infinitas glórias,
Lembrando sempre das centelhas...
Das fogueiras que dormirão acessas!
Sei que farás o, contudo valer a mim,
Sem que desconfie do destino dado,
Fado. Fadado fado fadado!

domingo, 27 de novembro de 2005

Encômio

A mim o céu consome,
Na espera de um milagre, grito!
Um olho logo olha,
Pupila na ruptura do sonho,
A divertir deus com seus cílios.
Com a pena em punho,
Empunho uma adaga suja,
Enferrujada por coágulos de sangue,
Que do teu pulso verteram a força.
Alhures é verão, ácido...
Bem como a hora que evade,
Sua fala é a lei,
Impera sublime sobre a estultice,
A qual santifiquei-me a solo.
Sou todo gratidão,
Para alem de mim vai você,
Ao infinito de um céu,
Que só reconheço a tato.
Sua imagem evoca mais,
O maior contraste,
E o menor desgaste,
Entre mim e seu interstício.
Numa pincelada distraída tua,
Desaparece o ser que sou,
Antes de reassumir a forma de luz,
Silhueta de uma arquitetura divina.
Comove a suas andanças,
Àqueles que não te esquecerão.
Mais que em nossas lembranças,
Marcou-nos você na alma,
Com as mãos que sempre se estende...
Entre a vida e morte a devolver-me,
A esperança no amanhã,
E a franqueza no seguir adiante.

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Páginas Vivaz

Vida como um livro,
De paginas repassadas,
Ressequidas e saudosas,
De paginas numericamente,
À frente, no futuro de outras,
E outras sobrepostas àquelas...
Historia posposta pelo tempo.
Escreva no que ainda resta,
Pequenos espaços vazios,
Sendas do melhor doce, melhor porvir,
Frestas latentes,
Daquele que um dia serei.
As marcas e gravuras,
Esquadrinhadas de pijama,
Foi datada de remotas paragens,
Incidem no meu texto,
Marcado por nossas rasuras.
No meu ciclo a vida entorna,
Desditosa a lamuria,
Entoada pela noite gélida,
Constitui para si,
O destino dos nobres...
Pandego canhoto,
A escarnar minha sina,
Através de suas delicadas mãos,
E seu persistente silencio.

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Sinos do Além




Ouço vindo de lá,
De algum lugar distante,
De onde não se pode imaginar,
Repicando ao sabor da noite.
Um sino!
O medo em forma de som,
Um tom qualquer de dor,
Branda, branca, bronca...
Quando as preces não funcionarem,
Um toque gelado de ponta de dedo,
Gelado...Surgirá na nuca sua,
È dia dos mortos, viva!
Quimera eu com sua fantasiosa...
Lustrosa forma de se enganar.
Eles não voltam mais.
Dinâmicas de ecos e trovões,
Criam em mim inchaços mentais,
Lapsos amantes da treva...
Das ruas onde as velas acesas passam.
Que dia mais santo a se comer peixe,
Senão o dia da exumação do mar?
E esse som que não cansa,
Tom que não destoa,
Dor que não cessa!
O sino salpicando meu corpo com sal,
E eu derreter como lesma,
Sem entender a superstição,
Que cerca o interior dos povos.
Minhas cinzas queimam nessa noite,
Misturadas ao incenso,
Da falta de senso que rodeia a todos,
E a todos que tiverem vida,
Não deixe as cinzas tomarem conta.

sábado, 10 de setembro de 2005

Pedaço Teu

Se algum dia lembrardes do que foi dito,
Numa noite sumariamente aguda,
Entre de penetra na vida que não é sua,
E rumo ao futuro se esqueça.
Há tempos de ladainhas enfadonhas,
Há muito descortinadas num único ato,
Na qual somos personagens de um drama,
Uma tragicomédia digna de sono.
Hoje entendo o que legou a mim,
Pedaço sinfônico de erro subentendido,
No andar das carruagens do tempo,
Inverto teu sentido e te arrumo.
Ajoelhar-me-ei nunca diante santos...
Mistifório de entranhas divindades,
Contrariamente aos ideais seus,
E a seus olhos inertes interpolados ao sol.
Aderem-se a ti ilustres fosseis dissecados,
Dissipam-se contigo a vida parasita,
Que teimamos em levar lado a lado,
Com aqueles a quem tanto amamos.
Um pedaço meu que foi tirado,
Entrega à pólvora gasta contra a mente,
Difere da desistência aparente,
Representada pela bandeira branca levantada.
Tenho suas palavras ruminadas,
Rebuscadas que me destes sem querer,
Junto com o abraço enjeitado,
Como o pedaço te mim que se foi...
O pedaço teu que ficou confuso em mim.

sábado, 30 de julho de 2005

Felicidade Inversa

Demônio ressurgido das sombras,
Passado que insiste em voltar,
Trazendo consigo um tormento,
De um amor que não pude ter.
Meu leito não existe, (desconheço)
Só há correntes a prender-me, (nessa noite)
Falha de um caráter incauto, (o meu)
Indubitável encanto meu engano. (um retorno)
Teus olhos que à boca se atenta,
Vidra na órbita dos meus desejos.
Tua nudez já esperada,
Toma conta de tudo que é meu...
Evapora antes que eu veja.
Esfrego nas têmporas minhas,
Lagrimas que se misturam ao suor,
Diante de um nervoso que me abate,
E você não some, não é miragem,
Sem que ninguém soubesse,
Você voltou para mim.
Velejo por teus lábios de fino traço,
E a deriva me acho no castanho dos olhos,
Que me traga a alma de uma só vez.
Insondáveis mistérios que atraem,
Vivo a esquivar de uma foice,
Que afiada no esmeril da ilusão,
Força minha garganta a calar o teu nome.
Penso em teus abraços,
Como um sonho lúcido,
Ainda que sinta o gosto do meu algoz,
Nas entranhas do teu corpo,
Ou nos beijos que nunca foram meus.
Persisto na entrega,
Do corpo, da alma, da essência,
Devoção que não requer nada em troca,
Ate que um dia eu pereça,
Transcenda ou te esqueça.

sábado, 16 de julho de 2005

Canção De Um (Otimista) Vencido

Uma praia ao sul do mar,
Pedreiras dormentes,
Gaivotas plangentes,
Mensagem de um sorriso.
A estrela que jazia estelar,
Naufragou a morar,
No fundo do mar,
Cadente estrela emergente!
Meio marinha pela manhã,
Já à noite, sobe aos céus,
Celeste! Sua imagem...
Sobre nós, elas riem-se,
Formam elos a exemplo claro,
De nossa sincera união.
Onde estão as flores da primavera?
Congeladas no inverno.
Os dias se atropelam,
E um sol diferente nasce,
Para cada dia igual,
Àquele que pede substituição.
Às vezes penso alto,
Profano o teu segredo,
Que sagrado,
Ninguém saber mais quer.
Meu novo dia é vencido,
Violado, fora de prazo,
A embalagem nem vi a cor,
Fraude natural a qual,
Tanto se acredita!
Persiste ali um sorriso,
Cantado por menestréis,
Que evocam o que já passou,
E também a mim e a você...
Epíalo de beijo roubado!

terça-feira, 12 de julho de 2005

O Viajante Onírico


Foge ao meu compasso,
Cognatos escalados,
Emparedados a uma esfera,
De cruzamentos sem fim.
Meu corpo não tem peso,
Quem ocupa meus espaços?
A ausência...
Líquidos embebidos em nesgas,
De um sudário que não usei.
Por essa água que decai,
E por todo olho que não vê,
Estarei de braços abertos,
Homem de vitruvio serei!
Acostumar os olhos ao silêncio,
A uma vontade inconfessa de deixar-se,
Sublimar...
Uma nau rumo ao incerto,
Fragmentos dos sinais do tempo.
Essa feiúra estética que assombra,
Mora atrás dos olhos dos homens!
Homens que criam “o feio”,
Para aviltar o belo, a inocência,
E a pureza de corações ingênuos.
Degredado de luas cheias,
Refino o rufar das cordas,
Que vocais, silenciam-se em mi,
Plúmbeo som a entrecortar,
Meu cenho com teu verdugo.
Timorato enquanto vivo...
Sem deflagrar guerras,
Ou desbotar as têmporas,
Desatentas de um amor ido.
Via Láctea ai vou eu!

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Os Pais Podem Ou Devem?

Numa reportagem no programa “Fantástico”
apresentado pela rede gLOBO de televisão há alguns
meses atrás que abordava a questão da “privacidade”
dos filhos adolescentes teve a seguinte chamada: -
“Até que ponto os pais podem entrar na”intimidade”
dos filhos?” E com isso levantava a bola para uma
discussão que tratou da “invasão” da privacidade dos
filhos pelos seus pais. É indiscutível a diferença existente
entre a forma em que foram criadas as gerações passadas
e a “moderna” concepção quase pedagógica para o
preparo dos filhos daquelas para a vida adulta. Caso
curioso aconteceu quando um pai que no afã de corrigir
o seu filho que se negou a deixa-lo "revistar" sua mochila
(na verdade o pai suspeitava que seu filho estivesse se
metendo com drogas), lançou mão de um cinto para faze-lo
e pasmou-se com o desenrolar da situação...ele
simplesmente correu para perto do telefone e disse
ao pai que se lhe encostasse o cinto, chamaria a policia.
Alegaria o adolescente às autoridades que teria sido
“espancado” pelo pai mostrado a eles os eventuais hematomas.
Esse pai pode ou deve? Resultado? Como era um caso
de pai filho de uma família um tanto quanto conservadora...
pau no moleque! Esta seria uma situação que se aplica à regra
ou a exceção? Não é a toa que cresce hoje o índice de violência
e de muitas outras gratuidades de modas absurdas com
uma juventude que, desde cedo, aprende que o “errado”
é na verdade o “certo”. Aprende com quem?
Com seus pais? Parentes? Amigos? Também... Os ídolos
dessa geração não são anjos sequer caídos! A sociedade
nos impõe constantemente um caminho a seguir, obstáculos
a serem superados, um constante preparo para o mercado
de trabalho é um não obstante exemplo. E na fase mais volátil
que é a da auto-afirmação e a busca por ser reconhecido e aceito
que acontece uma “transmutação de todos os valores”.
Transmutação não no sentido Nietzscheniano mas sim
no sentido de uma involução pelo progresso. Ou seria essa
geração uma nova “geração coca-cola? Dessa juventude a
qual está destinado o futuro do nosso país, o Brasil do “mensalão”
e também dos “sem-pão” há de se esperar o que?

segunda-feira, 4 de julho de 2005

A consequência do meu pessimismo, surge!

Um dia desse a química surgiu,
A explicar meu beijo físico...
Em teu queixo meio caído, puído,
De vidro a se debruçar em solidão.
Se fico aqui parado a dizer, desferir,
Gestos instrospectos de curto alcance,
Motivos ignorados, inatos,
Presenciam minha intenção esvair-se.
Doravante, saiba de que estou falando,
Um semblante que ao meu induz....
Idéias absurdas,voluptuoso intento,
Estar pra lá dos céus não vale mais!
Os livros nessa estante da vida,
São alegóricos sob olhares cegos...
Que em braile não os lêem,
Nem os querem bem.
Os dias que se vão nada prometem,
Despedidas de primaveras,
Contidas em cetim de rosas,
Que recobrem seu corpo de tristania.
Mesmo sem saber de tua felicidade,
Os ventos que movem moinhos sábios,
Adormecidos a encalacrar seus sonhos,
À realidade avisam de seu desaparecimento...
Antes que meus braços te achem!
Tua ferida a sangrar pra dentro,
Transforma-se em nosso elo...
E quando se sentires sozinha,
De olhos fechados encontraras,
O segredo e o remédio para toda dor,
Você mesma!

segunda-feira, 13 de junho de 2005

Aos Vivos e Mortos

Obrigado a todos os vivos,
E também a todos os mortos.
Aos que vivem: o horizonte,
E aos que deixaram de viver,
Que não passaram do dia de ontem,
Um aviso:
Derreteu-se a ultima das geleiras!
Caídos estão os últimos alados!
Encontro estilhaços das bombas,
No ponteiro do relógio que se esqueceu,
Me esqueceu preso por aqui,
Bombas, de efeito MORAL...
Todo perigo já não é,
As lagrimas destinadas ao chão,
Inundam a solidão de quem não conheço,
A chorar no berço das horas incautas.
Flutuei alto acima do céu,
E de todos aqueles que pensam voar,
Vôos rasantes e pensamentos mordazes,
Impediram que eu fosse alcançado.
A aterrissagem foi caudalosa...
Como quem erige das gretas cutâneas,
Sabendo que será abatido a seu momento,
Ao momento de neurastenia minha.
Esse carnaval de sentimentos ornados,
Ferem a aura daqueles tímidos filhos,
Que nasceram para aos vermes alimentar,
De forma que qualquer solidão seja perdoada.
Demonstrar o que ando sentindo,
É submeter à morte todo desejo irrealizável!
E a vida, a inocência permitida...
Antes que a dor deixe de nos afetar.

terça-feira, 31 de maio de 2005

Como se Fosse a Última

Tudo que vivi nesta curta vida,
Contrasta com a imagem final,
Daquela que recomeça atrevida,
Sua regeneração de todo mal.
Duetos de vozes enarmônicas,
Comportam-se benevolentes...
E todas as pedras que te jogam,
Deixarão de doer jamais.
Assim como toda palavra perdida,
Mal dita, encontrará um caminho,
Aonde te escondestes aturdida,
Com a chave que abre meu moinho.
Preferiu você que meus desejos,
Fossem embebidos em flamas,
Ora partilhando de meus cortejos,
Cortou-me nos pulsos dizendo que ama.
Acomodas em teu busto,
Aéreas flores nascidas num campo...
Para muito além dos arbustos,
Podados por seus enganos sinceros.
Não tenho mais tempo,
Contra o feixe que se dispara,
A cegar minhas emoções,
A chover e levar suas memórias...
De mim, daqui, da poeira,
Que ficou sobre as não menos artificiais flores,
De plástico, com orvalhos, de lagrimas,
Tudo formado por nuvens passageiras,
A perder-se no arrulho do silêncio.

quarta-feira, 20 de abril de 2005

O Sono dos Anjos Caidos

A noite não começa,
Meu dia parece não ter fim,
O sol brilha alto,
Como quem supõe,
Com alguém que brilha sem saber.
Me volto inebriado,
Vejo tuas costas nuas,
Vias e veias apetecem,
Sinto que renasci.
Teus olhos,
Aos meus intimida,
Tua boca,
À minha se entrega.
À flor da pele,
Seguro firme tuas mãos,
Fecho os olhos,
Tudo é entrega.
Diáfano engano...
Confusão de sentidos que dopam,
Não me reconheço mais ao seu lado.
Pedir pra não ser esquecido,
Arrepia-me a idéia a alma,
Mas se preciso for,
Não medirei esforços!
A realidade que tive ontem,
Com você por perto,
Era calmamente caótica,
Como sempre desejei em meus sonhos.
Devo lamentar ou agradecer,
Pelos dias serenos que me destes?
É hora de agir,
Circuncidar esse passado melado,
Quase diabético de morte,
E domar a fera que torna a bramir,
Dentro do meu ser que inflamável,
Pede por mais uma centelha desse gosto.
Acorda-me que está em tempo!
Por favor, alguém, eu suplico!
Acorda-me já!
Acordem me qualquer que leia,
Qualquer que tenha passado por isso.
Acordem a vós mesmo antes disso.
É hora!

terça-feira, 12 de abril de 2005

Entrevista com Arnaldo Jabor.

Programa "Roda Viva", Segunda, dia 11...

Arnaldo Jabor em saia justa quando lhe fizeram
uma simples pergunta inspirada em suas últimas
crônicas e em seu recente livro "amor é prosa,
Sexo é poesia" sobre o relacionamento homem x mulher
que dizia: "O que uma mulher procura em um homem?".

Devaneou, filosofou, fugiu do assunto para
não responder nada de substancial e alegou que "essa
é uma pergunta difícil de se responder....não existe o
que "A mulher" procura em "Um Homem" pois são
Homens e homens e Mulheres e mulheres...eis a dificuldade
não se pode generalizar...".

O cronista que muitas vezes, infelizes vezes, banaliza
o amor e o compara com "prosa" e “prosa” com as
discussões do dia a dia entre casais e exalta o sexo que é
“dinâmico”, “arrebatador”, alegou que trata
o tema em suas crônicas com “provocações”...lê-se generalizações.
Provocações venenosas e modistas que quando colocadas em
xeque mostram-se frágeis como quem as idealizou.

No restante da entrevista o cineasta, cronista, alfineteiro e etc,
que como muitos brasileiros, se acha conhecedor de tudo e dana
a falar “o que lhe vem a mente” com se fosse uma inspiração
divina, falou de política, economia, cinema, televisão,
e emitiu opiniões como quem sabe apenas as trivialidades
sobre tudo que demonstra ser exímio conhecedor. E como se
não bastasse ainda se lamentou por não considerarem o seu
trabalho como um trabalho “performático” e “artístico”. Lamentou-se
como quem quer ser uma espécies de astro da TV, um paradigma em
sua profissão de o inigualável “show man” televisivo...

Esse senhor, infelizmente, é considerado por muitos um
formador de opinião em nosso país e é com esse tipo de opinião
que continuaremos a correr atrás do próprio rabo
numa infame involução social e sobre tudo, humana.

Lembrem-se, de bom entendedor, o inferno também está cheio!!

quinta-feira, 24 de março de 2005

Uma Verdade em Duas Metades

Verdade rateada a mil,
Uma légua de palmos trancados,
Abre meus olhos lúgubres,
Com despeito e prazer.
Mais eu nunca soube diferenciar,
Misericórdia e dó,
Separar o messias,
Dentre os falsos profetas.
Comentam que serei o sucessor,
Arbitrar por livre indução,
Compleição em decúbito,
É a posição mais cômoda para a luz.
Você faz, você fala, gesticula...
Não convence nem a si,
Quem dirá a mim que fui Zeus?
Minha bússola se encontra perdida,
Assim como meu coração, bem fraco,
Nas curvas das noites idas,
Que voltam apenas em sonho.
Irrecuperáveis suplantações,
Não posso mais pensar em ter,
Quem sabe ser,
O homem que sufocaram em mim.
Em outros dias, dizia tremulo,
- Tenho a chance de mudar teu mundo!
Mal sabia eu dos teus planos,
Que resultaria por fim,
No meu naufrágio em cascalho.
A chuva que me belisca agora,
Leva embora toda dor e magoa,
Já não existe um olhar, uma verdade,
Um nada para aliviar o vazio,
Apenas as palavras que me ecoam...

domingo, 27 de fevereiro de 2005

O Pior Cego...

Fronteiras designadas a fechar,
Longe de nós aqueles que guardam,
Enegrecidos códigos voláteis,
De mundos abaixo de nós.
Viscos de bigodes de seres do mar,
Ladeados por sentinelas da terra,
E arcos do céu infinito,
A findar-se a cabo de um medo impuro.
Guiado através dos tempos,
São as pessoas investidas de poder,
Sem poder ser o que são,
Escondem-se, mordem-se, enganam-se.
Todo segredo deixa de ser,
Sendo dito para qualquer fonte,
Ou a pescoço recém quebrado,
Que não pode mais confessar.
Todo rei derrubado um dia derrubou,
Cardeais inócuos fustigaram um dia,
A nobreza com seus desejos descarnados,
Quando o sol afunda-se no horizonte.
Ora as semelhanças nos fazem deuses,
Ora nos aperta o peito até quase explodir,
Igualdades entre sexos, credos e cores,
Que insistimos em ignorar remontando sua existência.
Eles continuaram guardando...
Aguardando o caos ou aquele que “há de vir”,
Virando paginas suja de dedos,
De um fascículo de verdades ilustradas,
Lendas, fábulas e parábolas!
Que nos encerram a limites,
De corpos e mundos,
Magnífica queda de dominós.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

Sem Dizer Adeus

Tecidos recobrem o nu da pele,
Enfurecido de atadas mãos,
Pede por um gole de vida,
Aquela que não lhe foi dada.
Ele está preste a ser,
O que nunca se quis,
Ou, outrora, um pesadelo,
Sonho bom sujo de esquecimento.
Proteção dos olhos teus,
Por uma visão inevitável,
Que mesmo sem querer,
Guia-te pelo lado escuro do saber.
Esse homem que aprendeu,
Viveu e não se rendeu,
Ganhou condecorações de papel,
Que a granel, mofa na estante.
Seu corpo já sem dono,
Já não tão seu,
Entrega-se aos ferimentos...
Da alma!
Aquele senhor quase morto,
Dito teu pai nessa vida,
Foi amarrado, espancado e morto,
Por palavras desferidas no peito.
Não se assuste agora,
Você que o julgou e condenou,
Descobre tarde demais que a morte,
Nem sempre é punição...
Teu pai de lá, do outro lado,
Te agradece pela libertação,
Redenção de todo pecado,
Até aqueles cometidos contra ti,
Contra os céus, contra mim mesmo...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Cigarro aceso no braço

(Música do novo disco da Banda de pop rock
nacional Barão Vermelho)

Por mais que eu queira insistir,
Nosso tempo acabou.
Eu tenho que admitir,
Isso não é mais amor.
Tarde da noite você não é mais a mesma pessoa,
Que eu amei acima de tudo,
E nada disso foi à toa.
Vendo o sonho morrer,
Eu pude perceber,
Você dormindo hoje ao meu lado...
É um cigarro aceso,
Queimando meu braço.
É um cigarro aceso,
Queimando meu braço.
Agora não tem mais jeito,
Mil detalhes nos acordaram.
O rio ficou estreito,
Nossos papos se desmancharam.
Tarde da noite você não é mais a mesma mulher,
Que eu amei acima de tudo,
Na vida nem sempre é como se quer.
Vendo o sonho morrer,
Eu pude perceber,
Você dormindo hoje ao meu lado...
É um cigarro aceso,
Queimando meu braço.
As lembranças são tão cruéis,
Mas um dia vão seguir adiante,
O futuro é um quarto escuro,
E a culpa dilacerante.
É um cigarro aceso,
Queimando meu braço.

domingo, 30 de janeiro de 2005

Noticia 1

O novo Website official da cantora e compositora Loreena
Mckennitt está atualizado e no ar também na versão em
português. Para quem gosta de new age e música celta, é
sem duvida uma das melhores compositoras do genero na
atualidade. Cliquem na imagem e confiram o site.


sábado, 29 de janeiro de 2005

Cabeça Oca

Sempre acreditando no impossível,
Ele seguirá os mandamentos ditados,
Para que os filhos de suas filhas,
Exerçam o tal do livre-arbítrio.
Muito por fazer, pouco a dizer,
Os ventos surgem e levam alto,
Qualquer comportamento incomum,
Daí em diante, nada podemos fazer.
Sinos evocam o adormecido,
E o sangue do mártir,
Escorre novamente em vão,
Para que você olhe e diga:
- Eu posso!
Posso fazer bagulhos e guardá-los,
Inventar razões e sugerir morte,
Tudo posso, pois, ninguém me fortalece.
Segue. Segue, adiante um tumulo,
O dizer na lapide não importa,
Posto que quem está debaixo, jaz...
Descansa em paz.
Nessa vida o que mais importa,
Acaba por mofar numa pasta fechada,
Não encontrada na estante,
De casas que não nos é familiar.
Mas a fé que move barganhas,
Move também o nosso eixo,
Meridianos que explicam,
A repulsa e atração dos corpos.
O medo que cerca tuas vontades,
Contrapõe todo teu fútil ser,
Às simples convicções do velho ancião,
Que acredita mesmo longe dessa vida...

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Deixe o Sol Brilhar

Ás vezes amargo sozinho,
Palavras que ecoam vazias,
De um lado para o outro,
Sucumbindo a todo tempo.
Ao menos uma vez,
Quero o toque,
O beijo não dado,
O abraço negado,
Sua falta é a ordem.
Espero ansioso um dia,
Uma chance, uma volta,
Aquele velho olhar sumido,
Perdido em mim.
Mas o sol trás um novo dia,
E deixo o sol brilhar,
Deixe o sol brilhar,
Sem mais...
Deixo o sol brilhar,
Deixe o som falar...
Palavras não adiantam,
Rasgo as cartas e tudo mais,
Que não me pertencerão,
Ao menos uma vez,
O som do sim não é promessa.
Num dia-a-dia sem sol,
Desculpas esfarrapadas,
De nada adianta para nós,
É o brilho de um novo dia,
E deixo o sol brilhar,
Como teus olhos nos meus,
Deixo o sol brilhar,
Como quem pasmo vê pela primeira vez o mar,
Deixe o sol entrar,
Deixe o sol brilhar.

domingo, 9 de janeiro de 2005

Ter um Heroi

Quando era menino,
Achava a vida um saco,
As coisas pareciam ser,
Como nos filmes da Tv.
As conquistas da juventude,
Faziam-se a contradizer,
Àquilo que queria ser,
Quando terminasse de crescer.
Mas tive sim um ícone,
Força arrasadora,
Singela estrela solitária,
A guiar tímida meus passos.
Envolto a conselhos,
Tua vivencia era o testemunho,
Diante toda carenagem enferrujada,
Teu sorriso era meu mapa.
Meu coringa jogado,
De um baralho rasgado,
Desse mundo imundo,
Que não te deixa de lado.
Seus braços abertos,
Meu herói, você me acolheu!
Ora vestido de luz,
Ora travestido de vergonha,
Sempre admirei o seu andar,
Trôpego sem vacilar,
Em busca de sonhos...
Miragens de oásis,
Em desertos que nunca existirão.
Sim, meu herói,
Da infância à idade morta,
Sem sexo, idade, conceitos,
Quis, contudo crescer igual,
E tudo que consegui foi ser diferente,
Para que suas idéias e visões,
Se realizassem em mim.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

3 Minutos

Uma fenda aberta no telhado,
É sensação de agonia repentina,
Se apoderando, invadindo,
Meu pensamento imerso se afoga.
Quanto mais tento esquecer,
Mais perto do céu apodreço,
Exatos três minutos de ar,
Antes de o meu coração parar.
As estrelas brilham perto,
Os olhos irritadiços, ofuscados,
Observados pela fenda aberta,
Vê a esperança ultima nas ultimas.
Às vezes se chega longe pra nada,
O escrito nos livros não revela,
O caminho do inexato vácuo,
Da ausência presente em mim.
De todos os sonhos,
Aquele que não esqueci,
Figurava uma rara beleza...
Irreconhecível face de um deus!
O oxigênio abundante, falta,
Agrava o estado de um corpo,
Que esquecido por muitos,
Entreguei-me ao acaso.
Sucumbir ao som da razão,
Da mão que não ajuda,
Do perdão não perdoado,
Antes do fulminante ataque!
Minha gratidão eclode dos poros,
Somos alma, sentimento e fogo,
A razão é para as horas vagas.

domingo, 2 de janeiro de 2005

A Vida dos Desalmados

As ninfas da terra,
Seduzem nephelins do céu,
E amados por todas,
Seus dias de gloria começam.
Do amor ao sol,
Sem asas, desfigurados,
A beleza só nos importa,
Na juventude que se esvai,
Na ampulheta do meu tempo.
A fé de se começar a vida,
Diviniza mais uma vez,
As almas apaixonadas,
Dos que andam sem sair do lugar.
Mesmo diante do pecado,
Que impede a união dos seres,
Succubus não se sujeita jamais.
E é assim,
De queda em queda,
Traição de hora em hora,
A vida se refaz para os céus,
Diante dos véus que caem,
E diante da terra,
Por todo coração desolado.





Pressagio do Mal

(Essa é a primeira postagem de 2005 e
para comemorar o novo ano, essa poesia
é uma volta ao primeiro estilo literario a
qual pertencia à época dos meus primeiros
rabiscos.)


Um toque gélido assola,
Estridentes gritos alucinam,
E minha noite adormece,
Junto aos sonhos que se foram.
Demônios sorriem para mim,
Da ponta de seus cascos,
À dobra de seus chifres,
Enobrecem minhas vistas.
O show do inferno começa,
Os mortos tomam cada rua,
E jamais sentirei um vazio,
Que Deus não preencheu.
Senhora das aflições eternas,
Apanhe em teus braços,
Leve ao fim do mundo,
E largue todo anjo caído.
Eu sei, dos dias que não acabam,
Como as horas que não passam,
A morte ceifa vidas,
Sem escolher a quem levar.
Fazer o que se pode,
Fazer o que lhe deixam.
Antes de o sol raiar,
Quero tocar seu Deus por trás,
Derrubar as grades que cercam,
Aleijar o último leão de Judá.
Sangue gangrenado surge...
Brotando de meu semblante,
Cansado de correr sem saber,
Aonde meu centro,
Torna-se você.
Encostado num canto,
Vejo sentimentos mortos,
Tortuosos quebra-cabeças,
A serem completados por ti.