terça-feira, 31 de maio de 2005

Como se Fosse a Última

Tudo que vivi nesta curta vida,
Contrasta com a imagem final,
Daquela que recomeça atrevida,
Sua regeneração de todo mal.
Duetos de vozes enarmônicas,
Comportam-se benevolentes...
E todas as pedras que te jogam,
Deixarão de doer jamais.
Assim como toda palavra perdida,
Mal dita, encontrará um caminho,
Aonde te escondestes aturdida,
Com a chave que abre meu moinho.
Preferiu você que meus desejos,
Fossem embebidos em flamas,
Ora partilhando de meus cortejos,
Cortou-me nos pulsos dizendo que ama.
Acomodas em teu busto,
Aéreas flores nascidas num campo...
Para muito além dos arbustos,
Podados por seus enganos sinceros.
Não tenho mais tempo,
Contra o feixe que se dispara,
A cegar minhas emoções,
A chover e levar suas memórias...
De mim, daqui, da poeira,
Que ficou sobre as não menos artificiais flores,
De plástico, com orvalhos, de lagrimas,
Tudo formado por nuvens passageiras,
A perder-se no arrulho do silêncio.

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