sábado, 30 de julho de 2005

Felicidade Inversa

Demônio ressurgido das sombras,
Passado que insiste em voltar,
Trazendo consigo um tormento,
De um amor que não pude ter.
Meu leito não existe, (desconheço)
Só há correntes a prender-me, (nessa noite)
Falha de um caráter incauto, (o meu)
Indubitável encanto meu engano. (um retorno)
Teus olhos que à boca se atenta,
Vidra na órbita dos meus desejos.
Tua nudez já esperada,
Toma conta de tudo que é meu...
Evapora antes que eu veja.
Esfrego nas têmporas minhas,
Lagrimas que se misturam ao suor,
Diante de um nervoso que me abate,
E você não some, não é miragem,
Sem que ninguém soubesse,
Você voltou para mim.
Velejo por teus lábios de fino traço,
E a deriva me acho no castanho dos olhos,
Que me traga a alma de uma só vez.
Insondáveis mistérios que atraem,
Vivo a esquivar de uma foice,
Que afiada no esmeril da ilusão,
Força minha garganta a calar o teu nome.
Penso em teus abraços,
Como um sonho lúcido,
Ainda que sinta o gosto do meu algoz,
Nas entranhas do teu corpo,
Ou nos beijos que nunca foram meus.
Persisto na entrega,
Do corpo, da alma, da essência,
Devoção que não requer nada em troca,
Ate que um dia eu pereça,
Transcenda ou te esqueça.

sábado, 16 de julho de 2005

Canção De Um (Otimista) Vencido

Uma praia ao sul do mar,
Pedreiras dormentes,
Gaivotas plangentes,
Mensagem de um sorriso.
A estrela que jazia estelar,
Naufragou a morar,
No fundo do mar,
Cadente estrela emergente!
Meio marinha pela manhã,
Já à noite, sobe aos céus,
Celeste! Sua imagem...
Sobre nós, elas riem-se,
Formam elos a exemplo claro,
De nossa sincera união.
Onde estão as flores da primavera?
Congeladas no inverno.
Os dias se atropelam,
E um sol diferente nasce,
Para cada dia igual,
Àquele que pede substituição.
Às vezes penso alto,
Profano o teu segredo,
Que sagrado,
Ninguém saber mais quer.
Meu novo dia é vencido,
Violado, fora de prazo,
A embalagem nem vi a cor,
Fraude natural a qual,
Tanto se acredita!
Persiste ali um sorriso,
Cantado por menestréis,
Que evocam o que já passou,
E também a mim e a você...
Epíalo de beijo roubado!

terça-feira, 12 de julho de 2005

O Viajante Onírico


Foge ao meu compasso,
Cognatos escalados,
Emparedados a uma esfera,
De cruzamentos sem fim.
Meu corpo não tem peso,
Quem ocupa meus espaços?
A ausência...
Líquidos embebidos em nesgas,
De um sudário que não usei.
Por essa água que decai,
E por todo olho que não vê,
Estarei de braços abertos,
Homem de vitruvio serei!
Acostumar os olhos ao silêncio,
A uma vontade inconfessa de deixar-se,
Sublimar...
Uma nau rumo ao incerto,
Fragmentos dos sinais do tempo.
Essa feiúra estética que assombra,
Mora atrás dos olhos dos homens!
Homens que criam “o feio”,
Para aviltar o belo, a inocência,
E a pureza de corações ingênuos.
Degredado de luas cheias,
Refino o rufar das cordas,
Que vocais, silenciam-se em mi,
Plúmbeo som a entrecortar,
Meu cenho com teu verdugo.
Timorato enquanto vivo...
Sem deflagrar guerras,
Ou desbotar as têmporas,
Desatentas de um amor ido.
Via Láctea ai vou eu!

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Os Pais Podem Ou Devem?

Numa reportagem no programa “Fantástico”
apresentado pela rede gLOBO de televisão há alguns
meses atrás que abordava a questão da “privacidade”
dos filhos adolescentes teve a seguinte chamada: -
“Até que ponto os pais podem entrar na”intimidade”
dos filhos?” E com isso levantava a bola para uma
discussão que tratou da “invasão” da privacidade dos
filhos pelos seus pais. É indiscutível a diferença existente
entre a forma em que foram criadas as gerações passadas
e a “moderna” concepção quase pedagógica para o
preparo dos filhos daquelas para a vida adulta. Caso
curioso aconteceu quando um pai que no afã de corrigir
o seu filho que se negou a deixa-lo "revistar" sua mochila
(na verdade o pai suspeitava que seu filho estivesse se
metendo com drogas), lançou mão de um cinto para faze-lo
e pasmou-se com o desenrolar da situação...ele
simplesmente correu para perto do telefone e disse
ao pai que se lhe encostasse o cinto, chamaria a policia.
Alegaria o adolescente às autoridades que teria sido
“espancado” pelo pai mostrado a eles os eventuais hematomas.
Esse pai pode ou deve? Resultado? Como era um caso
de pai filho de uma família um tanto quanto conservadora...
pau no moleque! Esta seria uma situação que se aplica à regra
ou a exceção? Não é a toa que cresce hoje o índice de violência
e de muitas outras gratuidades de modas absurdas com
uma juventude que, desde cedo, aprende que o “errado”
é na verdade o “certo”. Aprende com quem?
Com seus pais? Parentes? Amigos? Também... Os ídolos
dessa geração não são anjos sequer caídos! A sociedade
nos impõe constantemente um caminho a seguir, obstáculos
a serem superados, um constante preparo para o mercado
de trabalho é um não obstante exemplo. E na fase mais volátil
que é a da auto-afirmação e a busca por ser reconhecido e aceito
que acontece uma “transmutação de todos os valores”.
Transmutação não no sentido Nietzscheniano mas sim
no sentido de uma involução pelo progresso. Ou seria essa
geração uma nova “geração coca-cola? Dessa juventude a
qual está destinado o futuro do nosso país, o Brasil do “mensalão”
e também dos “sem-pão” há de se esperar o que?

segunda-feira, 4 de julho de 2005

A consequência do meu pessimismo, surge!

Um dia desse a química surgiu,
A explicar meu beijo físico...
Em teu queixo meio caído, puído,
De vidro a se debruçar em solidão.
Se fico aqui parado a dizer, desferir,
Gestos instrospectos de curto alcance,
Motivos ignorados, inatos,
Presenciam minha intenção esvair-se.
Doravante, saiba de que estou falando,
Um semblante que ao meu induz....
Idéias absurdas,voluptuoso intento,
Estar pra lá dos céus não vale mais!
Os livros nessa estante da vida,
São alegóricos sob olhares cegos...
Que em braile não os lêem,
Nem os querem bem.
Os dias que se vão nada prometem,
Despedidas de primaveras,
Contidas em cetim de rosas,
Que recobrem seu corpo de tristania.
Mesmo sem saber de tua felicidade,
Os ventos que movem moinhos sábios,
Adormecidos a encalacrar seus sonhos,
À realidade avisam de seu desaparecimento...
Antes que meus braços te achem!
Tua ferida a sangrar pra dentro,
Transforma-se em nosso elo...
E quando se sentires sozinha,
De olhos fechados encontraras,
O segredo e o remédio para toda dor,
Você mesma!