sábado, 30 de julho de 2005

Felicidade Inversa

Demônio ressurgido das sombras,
Passado que insiste em voltar,
Trazendo consigo um tormento,
De um amor que não pude ter.
Meu leito não existe, (desconheço)
Só há correntes a prender-me, (nessa noite)
Falha de um caráter incauto, (o meu)
Indubitável encanto meu engano. (um retorno)
Teus olhos que à boca se atenta,
Vidra na órbita dos meus desejos.
Tua nudez já esperada,
Toma conta de tudo que é meu...
Evapora antes que eu veja.
Esfrego nas têmporas minhas,
Lagrimas que se misturam ao suor,
Diante de um nervoso que me abate,
E você não some, não é miragem,
Sem que ninguém soubesse,
Você voltou para mim.
Velejo por teus lábios de fino traço,
E a deriva me acho no castanho dos olhos,
Que me traga a alma de uma só vez.
Insondáveis mistérios que atraem,
Vivo a esquivar de uma foice,
Que afiada no esmeril da ilusão,
Força minha garganta a calar o teu nome.
Penso em teus abraços,
Como um sonho lúcido,
Ainda que sinta o gosto do meu algoz,
Nas entranhas do teu corpo,
Ou nos beijos que nunca foram meus.
Persisto na entrega,
Do corpo, da alma, da essência,
Devoção que não requer nada em troca,
Ate que um dia eu pereça,
Transcenda ou te esqueça.

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