domingo, 27 de fevereiro de 2005

O Pior Cego...

Fronteiras designadas a fechar,
Longe de nós aqueles que guardam,
Enegrecidos códigos voláteis,
De mundos abaixo de nós.
Viscos de bigodes de seres do mar,
Ladeados por sentinelas da terra,
E arcos do céu infinito,
A findar-se a cabo de um medo impuro.
Guiado através dos tempos,
São as pessoas investidas de poder,
Sem poder ser o que são,
Escondem-se, mordem-se, enganam-se.
Todo segredo deixa de ser,
Sendo dito para qualquer fonte,
Ou a pescoço recém quebrado,
Que não pode mais confessar.
Todo rei derrubado um dia derrubou,
Cardeais inócuos fustigaram um dia,
A nobreza com seus desejos descarnados,
Quando o sol afunda-se no horizonte.
Ora as semelhanças nos fazem deuses,
Ora nos aperta o peito até quase explodir,
Igualdades entre sexos, credos e cores,
Que insistimos em ignorar remontando sua existência.
Eles continuaram guardando...
Aguardando o caos ou aquele que “há de vir”,
Virando paginas suja de dedos,
De um fascículo de verdades ilustradas,
Lendas, fábulas e parábolas!
Que nos encerram a limites,
De corpos e mundos,
Magnífica queda de dominós.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

Sem Dizer Adeus

Tecidos recobrem o nu da pele,
Enfurecido de atadas mãos,
Pede por um gole de vida,
Aquela que não lhe foi dada.
Ele está preste a ser,
O que nunca se quis,
Ou, outrora, um pesadelo,
Sonho bom sujo de esquecimento.
Proteção dos olhos teus,
Por uma visão inevitável,
Que mesmo sem querer,
Guia-te pelo lado escuro do saber.
Esse homem que aprendeu,
Viveu e não se rendeu,
Ganhou condecorações de papel,
Que a granel, mofa na estante.
Seu corpo já sem dono,
Já não tão seu,
Entrega-se aos ferimentos...
Da alma!
Aquele senhor quase morto,
Dito teu pai nessa vida,
Foi amarrado, espancado e morto,
Por palavras desferidas no peito.
Não se assuste agora,
Você que o julgou e condenou,
Descobre tarde demais que a morte,
Nem sempre é punição...
Teu pai de lá, do outro lado,
Te agradece pela libertação,
Redenção de todo pecado,
Até aqueles cometidos contra ti,
Contra os céus, contra mim mesmo...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Cigarro aceso no braço

(Música do novo disco da Banda de pop rock
nacional Barão Vermelho)

Por mais que eu queira insistir,
Nosso tempo acabou.
Eu tenho que admitir,
Isso não é mais amor.
Tarde da noite você não é mais a mesma pessoa,
Que eu amei acima de tudo,
E nada disso foi à toa.
Vendo o sonho morrer,
Eu pude perceber,
Você dormindo hoje ao meu lado...
É um cigarro aceso,
Queimando meu braço.
É um cigarro aceso,
Queimando meu braço.
Agora não tem mais jeito,
Mil detalhes nos acordaram.
O rio ficou estreito,
Nossos papos se desmancharam.
Tarde da noite você não é mais a mesma mulher,
Que eu amei acima de tudo,
Na vida nem sempre é como se quer.
Vendo o sonho morrer,
Eu pude perceber,
Você dormindo hoje ao meu lado...
É um cigarro aceso,
Queimando meu braço.
As lembranças são tão cruéis,
Mas um dia vão seguir adiante,
O futuro é um quarto escuro,
E a culpa dilacerante.
É um cigarro aceso,
Queimando meu braço.