quinta-feira, 28 de outubro de 2004

Como Vai Você?

Você acorda todos os dias,
Acoplando as peças ao picadeiro,
Imaginando ser herói,
Fantasiando estupefato,
Falsas memórias remendadas.
Como vai você?
Estar caindo, gritando,
Concordando com a sentença,
Intuída por seus avós,
Amarrando sua vida,
Aos dias que o atropelam.
Como vai você?
Rodando atrás do rabo,
Alcançando em seu lugar,
Espaços vazios de mim.
E mesmo assim você anda,
Anda até cansar de fugir.
Como vai você?
Quando as coisas vão mal,
Levante as mãos para o céu,
Agradeça a alguém sem rosto,
E sinta-se melhor pra responder,
Como vai você?

sábado, 23 de outubro de 2004

Seja Lá Como For (Será)!

Antes da nova poesia, vai aqui a dica de um
Blog interessante sobre História, Música.
Mitos e Magia de Jan Duarte.
http://www.janduarte.pro.br/


Um sorriso,
Surtiu efeito. Um olhar,
Contudo explicar não sei,
O pudor consentindo a dor.
Abraços livres,
Entendimento equivoco,
No aguardo de abertura,
De um sonho inacabado.
Intimamente se desejam,
Amantes fieis a traição,
Quando se olham nos olhos,
E mentem sem saber:
- Amo-te!
Jogos de amor,
Inócuas brincadeiras,
Que em outros tempos,
Miudezas da alma humana.
Toda vez que caio,
Você assiste,
Enquanto ela me levanta.
Toda vez que choro,
Você limpa as lagrimas,
Enquanto ela me entende.
Seja lá como for, será.
Uma após outra,
Levando pedaços de mim,
Deixando apenas saudade.

sábado, 2 de outubro de 2004

Pra Todo Fim Um Meio

A cada dia sumido do calendário,
Um meio justifica nossos fins,
Meio a qual nos suga, dilata,
A pupila do buraco negro.
A certeza de que "tudo passa",
Transcende ao próprio homem,
Nos levando por tubos estreitos,
Venosas Viagens Vulcânicas.
Liberdade é o que se dá entre,
O abrir dos olhos e o último suspiro,
Emoções estampadas na moeda,
Que escraviza e avilta-nos.
Todo abraço pede mais,
De mais a mais os dias passam,
E nós passamos por eles...
E por quem os dias passam?
Sendo alguns antecipados pelo tempo,
Vidas ceifadas nesse campo,
De almas penadas sem destino.
Descobrimos então que "nada passa",
Levamos conosco o que se diz sentir,
Descobrimo-nos deuses virtuais,
Cedo demais para retroceder.
A noite vem revelar verdades ocultas,
Dissipando a nevoa de nossos olhos nus,
Como forma de preparação,
Prenuncio de idas que partiremos,
Deixando pra trás o que nunca passa,
A nos seguir em íntimos sonhos e lembranças.