sexta-feira, 25 de março de 2011

Endiabrado Contraponto

Encruzilhadas despachadas em velas,
Negras iluminam nas sombras um ser...
Ilusões entreabertas de portas fechadas,
Onde encerradas trancam nuas tua pintura.

Tingido e em degradê se mostra o ser...
Olho nos olhos os vitrais reluzentes,
Hipnóticos incandescentes,
Logo encalacrado estou.

Contudo ainda vejo de lampejo,
O medo revelado em cada pincelada,
Identidade deformada,
Coaduna inacabada com o delírio.

Caleidoscópio imaginário,
Dilata na Iris de quem queira ver,
O corpo decomposto em partes brilhantes,
A rodopiar num frenesi estonteante.

O vinho e o frango e a vela,
Em nada me desespera,
Depois do deguste, a ida!

Voltado a si logo ali,
Viajo sem volta marcada ao horizonte,
De tulipas vivas incontidas,
Inertes soerguem um suicídio!

Corpóreo Sentido

Quebra a pétala de um romance,
Sobre a primavera de um desejo,
A qual ensejo em um instante,
A delicia do seu beijo.

Cartas escritas,
Mal lidas sugerem avessos,
Que seus adereços não mostram,
Apos as curvas do véu teu.

Toca a face a Mao lisa,
Perfaz anônima o caminho veludo,
Entorpece o sentido já ressentido,
Vertiginosa queda d'água a se esperar.

Não demora teu corpo enlaça,
Pormenor selo é violado,
Sopro ao longe o vento à proa,
Deixo-me lacônico ao canto descanso.

Sinto a toa a vento soprar,
E aos poucos minha montanha moldar,
Pássaro incauto já entoa,
Castigo novo aos teus ouvidos.

Dia amanhece e rompe o tecido,
Da noite imberbe a sonhar comigo,
Sono incomum a qual me esqueço,
Dos dias de luta ao som do seu beijo.

Sem Mais

Corre ao lago o férreo fogo,
Sente a quina a cabeça dura,
Augura inerte apura longe,
Invertidos passos mal dados.

Invertidos pólos fêmeos,
Conduz energia volátil,
Introduz química tátil,
Consome assim teus homogêneos.

Como quem diz para afastar,
Livra o nó de qualquer cego,
Esmero esbelto estatua suntuosa,
Grega se perde no meio da Estória.

Rumo ao sul segue solta,
Toda volta que nem foi,
Antes torta do que morta,
Vida presa a correntes.

Flutua pesada em pensamentos contrários,
Em cenários nunca dantes vistos,
Antevisão mórbida e falsos cristos,
À flor de outrora entregues a esmo.

Mapeado tesouro já encontrado,
Perde-se em notas curtas mentais,
Ademais a mente que sempre engana,
Prega peças e nunca a satisfaz.

Entrelinhas fios a novelos de rolos,
Teu dolo já não garante essa tarde,
De calmos girassóis adoradores de lua,
Passeios a parques no meio da rua.