sábado, 10 de setembro de 2005

Pedaço Teu

Se algum dia lembrardes do que foi dito,
Numa noite sumariamente aguda,
Entre de penetra na vida que não é sua,
E rumo ao futuro se esqueça.
Há tempos de ladainhas enfadonhas,
Há muito descortinadas num único ato,
Na qual somos personagens de um drama,
Uma tragicomédia digna de sono.
Hoje entendo o que legou a mim,
Pedaço sinfônico de erro subentendido,
No andar das carruagens do tempo,
Inverto teu sentido e te arrumo.
Ajoelhar-me-ei nunca diante santos...
Mistifório de entranhas divindades,
Contrariamente aos ideais seus,
E a seus olhos inertes interpolados ao sol.
Aderem-se a ti ilustres fosseis dissecados,
Dissipam-se contigo a vida parasita,
Que teimamos em levar lado a lado,
Com aqueles a quem tanto amamos.
Um pedaço meu que foi tirado,
Entrega à pólvora gasta contra a mente,
Difere da desistência aparente,
Representada pela bandeira branca levantada.
Tenho suas palavras ruminadas,
Rebuscadas que me destes sem querer,
Junto com o abraço enjeitado,
Como o pedaço te mim que se foi...
O pedaço teu que ficou confuso em mim.

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