terça-feira, 27 de setembro de 2005

Sinos do Além




Ouço vindo de lá,
De algum lugar distante,
De onde não se pode imaginar,
Repicando ao sabor da noite.
Um sino!
O medo em forma de som,
Um tom qualquer de dor,
Branda, branca, bronca...
Quando as preces não funcionarem,
Um toque gelado de ponta de dedo,
Gelado...Surgirá na nuca sua,
È dia dos mortos, viva!
Quimera eu com sua fantasiosa...
Lustrosa forma de se enganar.
Eles não voltam mais.
Dinâmicas de ecos e trovões,
Criam em mim inchaços mentais,
Lapsos amantes da treva...
Das ruas onde as velas acesas passam.
Que dia mais santo a se comer peixe,
Senão o dia da exumação do mar?
E esse som que não cansa,
Tom que não destoa,
Dor que não cessa!
O sino salpicando meu corpo com sal,
E eu derreter como lesma,
Sem entender a superstição,
Que cerca o interior dos povos.
Minhas cinzas queimam nessa noite,
Misturadas ao incenso,
Da falta de senso que rodeia a todos,
E a todos que tiverem vida,
Não deixe as cinzas tomarem conta.

Nenhum comentário: